Da universidade à Defensoria: defensora pública relembra trajetória acadêmica e destaca importância da prática jurídica para estudantes

Anos atrás, ela ocupava uma cadeira na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) como estudante de Direito. Hoje, retorna à sala de aula em uma posição diferente: como defensora pública, ajudando na formação de uma nova geração de futuros operadores do Direito.

A trajetória da defensora pública Camila Cavalcante se reencontra agora com a da própria universidade por meio do projeto “Justiça em Ação – UEA & Defensoria”, realizado em parceria entre a Universidade do Estado do Amazonas e a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), levando capacitação e atendimento jurídico para municípios do interior.

No projeto, Camila participa diretamente das atividades de orientação jurídica e formação prática dos acadêmicos, acompanhando atendimentos e compartilhando experiências da atuação defensorial. A iniciativa busca aproximar os estudantes da realidade enfrentada diariamente pela população assistida pela Defensoria Pública, promovendo uma formação mais humanizada e conectada às demandas sociais do Amazonas.

Para Camila, participar da iniciativa representa mais do que atuação profissional. É também uma forma de revisitar a própria história.

“Quando a gente sai da faculdade, sai muito confuso, meio desnorteado, sem saber exatamente como se colocar no mundo a partir daquela nova condição. Hoje, poder ajudar na formação desses estudantes enquanto defensora pública me traz uma sensação muito grande de dever cumprido, porque eu já me vi no lugar deles”, destacou.

A defensora lembra que também construiu a carreira a partir da formação recebida na UEA e acredita que a aproximação entre universidade e prática jurídica pode transformar trajetórias.

“Muitos caminhos se abriram na minha vida porque eu me esforcei e me dediquei aos estudos. Então, voltar agora para contribuir com estudantes da mesma instituição onde me formei é uma experiência muito engrandecedora”, afirmou.

Camila conta que descobriu ainda na graduação o desejo de seguir carreira na Defensoria Pública. O primeiro contato aconteceu durante o estágio na instituição.

“Eu me encontrei ali dentro do Direito. Nunca me imaginei fazendo outra coisa além de ser defensora pública”, relembrou.

Segundo ela, a vivência prática durante a graduação é essencial para preparar os estudantes para a realidade da profissão.

“A faculdade ensina muito da teoria, mas nada prepara a gente para a realidade como a prática. É nela que os estudantes desenvolvem habilidades que vão carregar para o resto da vida profissional”, explicou.

Mais do que experiência técnica, a defensora destaca que o trabalho desenvolvido pela Defensoria Pública ajuda os estudantes a compreenderem o papel social do Direito e a importância de um atendimento humanizado.

“A Defensoria busca fomentar uma cultura de paz. A gente não está ali apenas buscando ganhar ou perder uma demanda. Estamos buscando acolher pessoas, compreender angústias e encontrar soluções que realmente façam sentido para aquela realidade”, disse.

Para ela, esse olhar é indispensável na formação de qualquer profissional da área jurídica.

“As populações vulneráveis estiveram historicamente à margem dos processos decisórios e tiveram direitos negligenciados durante muito tempo. Todo operador do Direito deveria passar, de alguma forma, pela Defensoria Pública para desenvolver esse olhar mais sensível e humano”, ressaltou.

Ao reencontrar estudantes vivendo a mesma fase que um dia viveu, Camila acredita que o projeto também funciona como inspiração para quem ainda está descobrindo os próprios caminhos dentro da profissão.

“É muito importante que os acadêmicos conheçam a Defensoria Pública, entendam o papel da instituição e percebam como ela dialoga com o futuro do Direito que queremos construir: um Direito mais humano, mais acessível e mais comprometido com as pessoas”, concluiu.

Recém-associada da Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Amazonas (ADEPAM), a defensora pública Camila Cavalcante também destaca a importância do apoio institucional à capacitação acadêmica e profissional dos membros da Defensoria. 

A ADEPAM parabeniza iniciativas voltadas ao fortalecimento da formação continuada e à aproximação entre a prática jurídica e o ambiente universitário, contribuindo para o desenvolvimento de profissionais cada vez mais preparados para atuar em defesa da população vulnerável.

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